quinta-feira, abril 13, 2006

Desencontros Encontrados

...lá está, Natal é sempre quando nós quisermos...mas o melhor é ter a oportunidade de rever-te a gesticular de uma forma muito própria, com "o" sentido de humor retorcido e inteligente,com laivos altivos característicos de uma personalidade forte e indomável.
...o melhor foi ouvir as gargalhadas de cada uma, os olhares e as cumplicidades...o melhor foi perceber que nem os desencontros, nem as minhas distrações, nem as distâncias, nos fazem perder uma amizade tão indispensável...que não vejo a minha vida da mesma forma... sem saber que posso trocar presentes de Natal na Páscoa, que posso ouvir gargalhadas a uma mesa do Monumental.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Manias...

Regulamento"Cada bloguista participante tem de elencar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

Recebi este regulamento, com recrutamento e algum sofrimento, com um obrigatório envolvimento, sem hipótese de omitir tamanho conhecimento ao abrigo de um juramento:

Não tenho 5 manias, nem 10, nem 1000, resumo a minha existência a uma única mania:

Tenho a mania que não tenho manias...sou desprovida de qualquer factor obstinado ou característico, que nos distingue e nos permite ser catalogados socialmente. Considero-me inadaptada e com um quadro psíquico ininteligível. A todos os meus pares, o mais sincero e sentido perdão pela minha existência.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Anúncio

Vende-se cérebro inútil com palavras desconexas. Oferecido (negociável com potencial gratificação pelo interesse demonstrado). Trata a própria.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Fobias Natalícias

O Natal aproxima-se, as ruas iluminam-se, as pessoas vivem na euforia de um consumismo próprio e característico da época. Ficamos todos mais sensíveis e humanos nesta altura, diria que o Natal é um despertador que nos alerta para aquilo que nos rodeia, do indiferente para o relevante…fazemos uma avaliação introspectiva de efeito temporal demasiado reduzido. Pudesse eu ser novamente criança e sorria ainda mais, não pelos presentes que adornavam a árvore de Natal mas por ter ido todos aqueles de quem gosto, vivos e a iluminarem uma das minhas noites preferidas. O tempo avança e vai tirando uma estrela, e outra…até que um dia a árvore fica despida, sem qualquer adorno. É nesta altura que os lugares vazios da ceia são insuportáveis…a todo o custo tento-me abstrair do impossível.
Antes contava os dias para o Natal chegar, hoje conto para que passe depressa…não suporto esta época e vivê-la com vazios provocados por uma família dispersa pelas perdas. Mas que venha sempre mais um Natal, de preferência com mais sentados à mesa e que não me falte nenhum.

quarta-feira, novembro 30, 2005

Factores de Perturbação

Depois de um longo tratamento, de uma dedicação precisa a eliminar os inúmeros factores de uma perturbação constante e evidente, devo informar que o resultado foi indubitavelmente desastroso. Estou na mesma, há quem diga que estou pior, cada vez mais próxima de uma existência que dança no limiar de um mundo próprio e de uma consciência colectiva. E a culpa é de quem? A culpa é por demais evidente desta sequência política a que nos temos que submeter. Lá foram as autárquicas, arrumámos os presidentes e vereadores...apoiámos alguns que se dizem suspeitos...na realidade todos eles o são, só que uns são menos argutos que outros. Aliás ser político neste País ou é um acto de generosidade ou é sempre suspeito...matéria para entreter o Poirot e o Sherlock Holmes!
A única coisa que me alegra é ver os cartazes dos “ditos” a perderem cor, forma e a perderem-se em pedaços...e sobretudo aqueles “sacos de plástico” da CDU a serem arrancados, pelo vento da Providência Divina, dos candeeiros de Lisboa.
Agora temos as presidenciais, a avaliar pelos candidatos creio que me vou abster de comentários, penso inclusivamente que pelo menu e pelos pratos do dia o melhor é ficar em jejum. A vantagem das presidenciais é que temos poucas caras que tenhamos que suportar diariamente naqueles estendais, mais, como são as mesmas e espalhadas pelo País, acabamos por nos habituar, tal como aquela jarra detestável que foi oferecida pela sogra mas que a dona da casa insiste em colocar em destaque....com esperança será o depósito das cinzas da mesma.

sexta-feira, outubro 28, 2005

Comunicado

A todos os meus fãs, leitores e admiradores:

Vejo que o contador do "Farpas a Todos" ultrapassou o nº 1000 - A todos os "cliques": Obrigada!
Informo que o meu cérebro encontra-se em reestruturação. Peço desculpa pelo incómodo de terem que viver sem as minhas palavras. Prometo ser breve. Os neurónios disfuncionais serão eliminados com precisão.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Por aqui se vê que não há nada a fazer...

Conclusão da Irrelevância Relevante

Apesar de eu ser intemporal e não ter a capacidade de empacotar pessoas pela faixa etária, gostei das inúmeras pessoas que se lembraram de mim…se as souber conservar e se ganhar amizades a este ritmo, vou ter um funeral em grande…não chego a uma Amália ou à Madre Teresa, mas já dá para animar a festa!

Coisas Relevantes

A título de reconhecimento aqui vai: a todos os mimos, atenções, telefonemas, mensagens, sorrisos, abraços, emoções, jantares, gin’s e presentes oferecidos aos meus 27 anos – Um reconhecido e emocionado agradecimento.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Coisas Irrelevantes

Entre o último “post” e este, segundo consta tenho mais um ano, o que faz toda a diferença ter 26 e passar a ter 27. Estou absolutamente na mesma.
Eu percebo que a Humanidade precise de números, de raças, estilos, catálogos, inventários, classes, categorias, organigramas e afins, para se orientar…mas isto de atribuir um número em constante crescimento é desnecessário. Se analisarmos as consequências de ter idade numérica, percebemos que esta existe apenas para nos alertar daquilo que devemos ou não fazer, daquilo que podemos ou não podemos, das doenças prováveis e dos condicionamentos que esta implica conforme avança.
Escusam de pensar que estou a ser idiota e não me venham falar da idade biológica e do envelhecimento das células porque a idade em estado numérico nem sempre condiz.
Falo-vos disto e embora tenha feito 27 anos no dia 8, e apesar de continuar com 27 anos no dia 10…continua a ser indiferente. Sei que é sempre confortável em termos sociais dizer o nome, a idade, a profissão e quando se diz que estamos nos “vintes” ou “trintas” as pessoas partem do princípio que é óptimo, que estamos no “melhor da vida”…mas nós também temos desilusões, dores nas costas, consultas médicas, dívidas e problemas…então o que é que nos distingue de uma pessoa de 50 anos? Lá vem a resposta fácil: a maturidade, a vivência e a experiência. Pergunto eu: quem é que nos garante que uma pessoa de 50, 60 ou 70 tenha mais maturidade, experiência ou vivência? Nem todas as pessoas sabem conduzir a sua vida da melhor forma.
Apesar da loucura residente desta Farpas que vos atormenta, acreditem que viver de acordo com uma condição numérica só nos bloqueia. Perdem-se experiências fantásticas por fronteiras temporais, condicionam-se amizades, relacionamentos, aventuras, viagens, decisões e cumplicidades.
Nada me impede de ser responsável, de ter maturidade e de tomar decisões importantes aos 27…mas também ninguém me vai impedir, de me meter num Safari e desafiar um leão quando tiver 70…porque sou eu e não uma ordem numérica simples…tão simples e diminuta comparada com a vida e com as pessoas que me rodeiam e de que tanto gosto.

domingo, outubro 02, 2005

Electrodoméstico Dispensável

Hoje resolvi dar uma oportunidade à televisão, olhei para ela e tive pena daquele écran surdo-mudo e em luto constante. Já me arrependi. Fui logo confrontada com uma aberração de programa, um esquadrão qualquer com cinco parvo-alegres de espécie não identificada, a correr atrás de um mastodonte com 116 kilos de músculos e 54 de Q.I. Parece que o mastodonte passava a vida num ginásio a olhar para aquela massa espongiforme e esqueceu-se que tinha família.
Muito sinceramente era melhor que ninguém o tivesse relembrado…mas qual é a mulher que atura um calhau vivo? E aquela pobre criança que tem um pai que só serve para a assustar e eventualmente forçá-la a comer a sopa…à falta de um bicho-papão mais simpático.
Lá tive que ir beber uma água das pedras, daquelas levíssimas e atacar os Kompensan…realmente ver aquelas 5 gazelas desvairadas a correr atrás do mastodonte, o mastodonte a ser transformado em bisonte educado, a mulher a dançar a valsa…Feliz da criança que já dormia.
Como um mal nunca vem só…e porque mudar de canal traz sempre consequências, lá tive que encarar mais uma afronta. Refiro-me agora a um bando de anormais vestidos de tropa, a brincar às guerras. Quando o sistema de defesa militar serve um reality-show, já nada me surpreende, muito brevemente deveremos ter um bando de candidatos a brincar às presidenciais, e já agora o governo podia ceder o Palácio de Belém para cenário. Deixo mais uma sugestão, inventem outro com juízes e tribunais…assim também podem brincar com a Justiça e fica o ciclo completo.
Não sei se vivo num País, se na Feira Popular. Continuem a “estupidificar” as massas, a ocupá-las e a distraí-las daquilo que é realmente importante. Esta democracia encapotada é de um requinte extremo, continuamos a viver de uma elite bem informada que controla e gere (como o faz, não se sabe) o País, as opiniões e a iliteracia do povo português.
Já pensei converter a televisão em aquário, pelo menos os peixes não têm memória, são desinteressantes…mas não prejudicam.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Portugal Air Show 2005 - Uma Aventura em Pirueta

Regressei. Depois de um estado penitente prolongado, de uma cura intensa e de continuar a viver num estado de aerofobia, conto-vos a minha história….ou melhor a história da vítima que elegi para protagonista.
No Verão passado como sabem tive grandes aventuras aeronáuticas: turbulência, poços de ar, aterragens de emergência, assédios no aeroporto, um “quase” desastre de autocarro, enfim….uma panóplia que fez as delícias dos amigos próximos.
Sem histórias para contar, resolvi aterrar no Portugal Air Show em Évora. Consciente da minha especial relação com os meios aéreos e paisagens envolventes, decidi eleger uma vítima para vir comigo, na expectativa de ter a oportunidade de ser “A” testemunha em vez de ser o tema. Desejo concedido!
O primeiro anseio não era ver os aviões!...mas sim andar de avião. Lá fomos na qualidade de aviadores aspirantes a Kamikazes. Entre tendas, stands, aviões, helicópteros, torpedos, gente, militares e pessoas…lá encontramos uma alma enérgica, sorridente e voluntariosa. Pois, meus amigos: uma alma voluntariosa traz sempre “água no bico”. Fomos arrastados até à pista onde um assistente (bem engraçado, por sinal) de sorriso pasta dentífrica, “nos convidou” a experimentar a dar uma voltinha. O entusiasmo imperava...só não demos pulos porque a idade e o estatuto não permite.
Agora é que vem a parte interessante, a euforia paga-se especialmente quando ninguém se lembra de perguntar em que avião é que se dá “a tal voltinha”.
Sem saber e num acto de delicadeza sugeri que a vítima se divertisse primeiro.
A vítima não era vítima, até eu ter percebido que o tinha enfiado literalmente num inferno acrobático. Pois é…foi assim, com o grande piloto Luís Garção a vítima teve de tudo, piruetas…acrobacias….G’s positivos, negativos, invertidos, diagonais…tudo a que um “Ás pelos Ares” tem direito. A vítima saiu de lá mais agitada que um cocktail, nem uma centrifugação fazia melhor.
Para grandes aventuras é preciso ir ao engano e ter coragem para as enfrentar…aqui dou três gritos de honra pela vítima, porque eu não ia! Nem enganada.
Assim se mantém a minha tradição aeronáutica. Já sabem onde eu estiver e os aviões também…evitem!

segunda-feira, setembro 12, 2005

"Le Petit Prince"


A todos aqueles que ainda têm um planeta escondido, onde as gargalhadas, as brincadeiras e a liberdade não são proibidas.

http://www.saint-exupery.org/
http://www.little-prince.org/

quinta-feira, setembro 08, 2005

Amizades Incondicionais



Este é o meu amigo de sempre! Já nos aturamos há 8 anos, sabemos tudo um do outro...nunca nos zangámos, nem uma "birrinha" para amostra. Sempre que precisamos um do outro, há disponibilidade incondicional: não se fazem exigências, nem se cobram favores. Tudo entre nós funciona com naturalidade.
Somos muito compatíveis, porque fomos abençoados com uma boa dose de loucura, constituimos assim, uma possível ameaça à normalidade e a alguns padrões da pseudo-sociedade. Quando estudámos juntos, fazíamos o terror daquela (pobre) escola de música...acusados de revolucionários, indisciplinados,
anti-regras...mas sempre muito competentes e profissionais nas tarefas desempenhadas. Muitas vezes, fugíamos a ensaios de pesadelo, sorrateiros e de luz apagada..corríamos pela escada e acabávamos na Trindade a partir sapateiras. Claro que com tanta ameaça de terrorismo musical(ainda por cima saudável), deu num ataque cerrado de professores que na "suposta-preocupação-de-se-perderem-dois-alunos-com-talento", resolveram tentar afastar-me do "líder terrorista", já que era um caso perdido.
Hoje, digo a todas as pessoas que o tentaram fazer, que só vos resta uma derrota declarada, porque ainda hoje nos sentamos ao piano e tocamos a quatro mãos, ele está a caminho de ser um bom compositor, eu também não estou mal de todo...nenhum de nós se perdeu pelo caminho, apenas nos rimos por último da maldade e da mediocridade humana.
Com isto quero dizer, que uma amizade por ser incondicional é indestrutível.

Regresso Escusado

Se me perguntar qual é o melhor mês para visitar Lisboa, eu respondo sem hesitação: Agosto. Para conseguir visitar a cidade, sem ver aberrações humanas, gente desenfreada, espécies mal-educadas e sub-espécies não identificáveis, o melhor é esperar pelo bendito mês, que as ditas “movem-se” todas para o Algarve.
Na realidade, escusavam de voltar, continuem de férias, inundem aquelas praias, fomentem a desordem na terra mais próxima aos “Al’s” deste Mundo.
Andava tão contente de ver os supermercados arrumados, sem livros enterrados nas laranjas, sem pacotes abertos, com as prateleiras recheadas e livres de "aspecto de guerra a caminho". Levantava dinheiro, sem o desespero dos “retornados” a tentarem consultar o despautério da sua conta bancária pós-férias. Conseguia viver dentro de um automóvel, sem pensar nos meus últimos desejos, antes de ser morta por um inconsciente…até era possível, arrancar com um semáforo verde sem que ninguém apitasse (aqui, usam as buzinas mesmo antes do encarnado dar lugar ao verde).
O Metropolitano era um sonho, todos, quer dizer refiro-me aos poucos, que por cá andavam em Agosto, conseguíamos entrar numa carruagem sem sermos atropelados, estropiados, violentados, esmagados e os “ados” todos que incluam violência.
As ruas até tinham espaço nos passeios, não tínhamos que levar com os inquéritos e as promoções de brasileiradas enganosas, nem tão pouco saltar no passeio para evitar os "cócós" da espécie canina. Até os pombos andavam mais calmos.
Escusavam de ter regressado, voltem para lá…toda a matéria humana desnecessária, deverá ocupar o território português desertificado. Aproveitem, têm imenso espaço para fazer o que vos apetece, mas por favor deixem as pessoas, aquelas:…as normais….as civilizadas…viver em Lisboa ao sabor de Agosto.

sábado, setembro 03, 2005

Açores – Parte II



Quando se toca no Paraíso, corre-se o risco de querer voltar, de rejeitar tudo o que nos rodeia, de nos sentirmos agredidos com aquilo que nunca nos tinha agredido antes.
Dou por mim a imaginar as vacas a pastar na 2ª Circular, os cavalos a relinchar no Colombo, o Tejo transformado em Atlântico, o Rossio em Lagoa do Fogo. Ainda sinto os perfumes intensos e variados de cada flor, da densa vegetação, numa mistura mística com o calor da Terra.
Há qualquer coisa que nos atrai, um tipo de magnetismo que nos prende naquele cenário.
Sempre pensei que viver numa ilha tocava a claustrofobia, por ser um território fechado pelo mar, mas enganei-me. Uma ilha, um território delimitado concentra-nos, obriga-nos a encontrarmo-nos, a observar aquilo que nos rodeia e entrega-nos à plenitude de um horizonte sem fim. Tudo é mais intenso, os sabores, as emoções, as pessoas, as cores, os contrastes…desperta os sentidos e liberta-nos.
Agora de regresso a Lisboa, de que tanto gosto, sinto-me um vulcão em erupção, modero os meus impulsos. Imagino o que seria libertar as vacas do matadouro, raptar os cavalos do picadeiro do Campo Grande, replantar os espólios das floristas, abrir diques e levar o Tejo para o Estádio do Benfica (dava uma excelente lagoa, por sinal).

sábado, agosto 27, 2005

Açores - Parte I

Reencontrei-me com a Natureza. Tinha saudades do contacto com a Terra. A minha passagem por S. Miguel libertou o meu lado selvagem, dei por mim a desafiar o Atlântico, a querer mergulhar em cada lagoa apresentada, a provocar abismos. Tive vontade de me libertar de um Eu cosmopolita, atrofiado pelas regras e pelo tempo e ritmo que nos é imposto.
Acordo agora, com uma energia que só nos é dada pelo reencontro com a beleza, a arte do Divino. Não sabia que a cor verde podia ser tão versátil, que os vulcões que outrora queimaram a Terra, nos davam o mais belo dos silêncios.
É de facto difícil habituarmo-nos a um Mundo, a uma cidade construída, a aprender a dispensar a nossa ousadia, o nosso lado animal. Na realidade andamos calçados porque assim e alguém o determinou. Quem é que não gosta da sensação de sentir a areia molhada?...do mar a convidar-nos para entrar? Quem é que não fica reduzido à cor do sol no crepúsculo? Quem é que não consegue ceder à cor de platina do mar, quando este encontra a Lua?
Vivemos esquecidos daquilo que somos.

S. Miguel, Ponta Delgada.

Eis na fotografia as consequências de uma semana na ilha de S. Miguel, rodeada de Excelentes Amigos que entre a dedicação e um enorme carinho, provocaram em mim, sorrisos constantes.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Entre flaps e aterragens….

Depois de tanta turbulência, poços de ar, supostas aterragens de emergência, despir de casacos, seguranças e malas em espera, consegui ter no sexto voo de Agosto uma viagem decente…e foi assim de Ponta Delgada a Lisboa. Fiquei comovida de ter proporcionado aos céus uma viagem tão tranquila, porque normalmente onde estou, em matéria de aviões e aeroportos, acontece sempre alguma coisa. Depois de uma aterragem brilhante, tão doce que só os travões anunciaram o toque com a Terra, estava um autocarro de escape paciente, com um motorista reduzido à sua insignificância perante um Air Bus 310.
Agora vem a melhor parte: o que é que pode acontecer de mais ridículo num aeroporto, depois de uma viagem de avião? Morrer de desastre de autocarro. Não podia deixar a minha fama em milhas alheias: não aconteceu nada ao avião, ia acontecendo ao autocarro!...Mas como tudo o que passa comigo tem uma certa ironia, digo-vos que o embate ia sendo com o transporte da bagagem do dito voo. Era a chamada morte de “malas aviadas”.
Pior que morrer de desastre de autocarro numa pista de aviões, é aturar um idiota com a cabeça banhada de gel, a mandar piropos de mau gosto, e eu sem alternativa ter que olhar para aquele cenário de guerra, para aquela cabeça em forma de campo de minas, para aquele sorriso de trincheira convencido que tinha piada e que eu estava a gostar. Vinda do céu estive mais próxima do inferno.

domingo, agosto 07, 2005

Sebastianismos….

É caso para dizer: vou-me embora, vou partir e não me apetece! Lá estou eu com as lamechas e saudosismos, é de facto insuportável quando se vive com emoções aos kilos.
Sou daquelas espécies humanas que se pudesse carregava a família, os amigos e alguém especial para todo o lado. Pena que as novas tecnologias, ainda não permitam empacotar aqueles de quem mais gostamos. Já me estava a imaginar de caixinha sofisticada, a transportar todos os que fazem e são parte de mim.
Eu sei: nesta altura estão a pensar que eu realmente devo sofrer de emocionite aguda, mas de facto levo um vazio tocado pelo medo de não poder voltar a abraçar, aqueles que eu queria que estivessem na caixinha.
Depois, os telefonemas “dos beijinhos e boa viagem”…os silêncios intermédios e vozes comovidas, deixam-me numa pieguice total.
Estou com a sensação que me alistei nos Comandos e que vou combater sem regresso marcado, ou que vou para o mar, sem terra à vista, à procura de uma tubarão branco.
Ainda não fui e já têm saudades. Eu, ainda vou e já me apetece voltar.